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Ao visitar Teresina, turistas preferem ônibus a avião, diz pesquisa

Preços das tarifas aéreas e cobrança por bagagens despachadas em aviões são apontadas como principais causas

 
Passageiros de avião chegaram a ser maioria em 2014, mas perderam espaço (Reprodução)

 Passageiros de avião chegaram a ser maioria em 2014, mas perderam espaço (Reprodução)

 
 

O número de turistas que chegam a Teresina de ônibus de linha superou, em 2018, os que usam o avião como meio de transporte, segundo a Pesquisa de Turismo Receptivo, feita pela Fundação Cepro e divulgada pela Prefeitura de Teresina. O estudo revela que, em cinco anos, o número de turistas rodoviários subiu na participação total dos passageiros que chegam à capital, passando de 38% em 2013 para 52% no ano passado. Ao mesmo tempo, o percentual dos que desembarcam pelo aeroporto caiu de 52% para 41%.

 

Segundo especialistas do setor ouvidos pelo Piauí Negócios, quatro fatores explicam essa inversão: o preço das passagens aéreas, sua política de reembolso, a cobrança de taxas por bagagens nas aeronaves e a recessão econômica do Brasil.

 

O agente de viagens Jorge Leite diz que as empresas aéreas têm praticado preços muito altos, como por exemplo o trecho de Teresina-Brasília por R$ 4 mil, ou São Luís-Teresina por R$ 1,8 mil. “As empresas fazem promoções, mas elas são limitas a um número muito pequeno de assentos. A maioria dos passageiros paga tarifas altíssimas”, afirma Leite, ex-presidente da Agência Brasileira de Viagens do Piauí (ABAV-PI).

 

O especialista também cita a política de reembolso das companhias aéreas, que cobram um valor muito alto do consumidor, e se a passagem for promocional, o passageiro poder perder totalmente a passagem, pois a taxa de cancelamento ou adiamento fica às vezes maior do que o valor da passagem em si.

 

Cobrança por bagagens

Outro ponto que está fazendo o passageiro trocar o avião pelo ônibus é introdução de uma cobrança, por parte das companhias aéreas, pelo transporte das bagagens dos passageiros. A medida passou a valer em 2016, por decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que regular o setor. Hoje, o passageiro só pode levar uma bagagem de mão dentro da aeronave, desde que a mesma não pese acima de 10kg.

 

Segundo a guia de turismo Jacqueline Nobre, que trabalha há 15 anos recebendo turistas que visitam Teresina, a taxa de bagagem tem tido efeito direto na troca do meio de transporte dos turistas que chegam à capital. “Muitos ficam encantados com a nossa cajuína, e querem levar várias unidades, mas a cobrança pelo excesso de bagagem desestimula. No ônibus não há essa limitação”, explica Nobre.

 

A guia de turismo Jacqueline Nobre (de laranja) com um grupo de turistas que veio de ônibus para Teresina (Foto: arquivo pessoal)

 

Mesmo sendo mais demorado do que a viagem de avião, o trajeto terrestre tem atraído mais turistas porque as empresas rodoviárias passaram a investir mais em conforto, principalmente depois que passaram a perder passageiros para o transporte aéreo no auge do crescimento econômico do Brasil. “Dá para o turista curtir a viagem de ônibus. Ainda mais ele podendo levar para casa presentes e lembranças sem pagar a mais por isso”, afirma a guia Jacqueline Nobre.

 

A guia de turismo Denise Torres conta que já presenciou manifestação de turistas que desistem de levar caixas lotadas de cajuína por conta do valor que terão que pagar pelo excesso de bagagem. “Muitos também gostam muito do doce de buriti e gostariam de levar mais de um, mas de avião há esse transtorno”, comenta.

 

Retomada

Apesar dos turistas rodoviários serem a maioria, o número de passageiros que chegam a Teresina via aérea voltou a crescer em 2019, depois de cair entre 2017 e 2018. Segundo a Infraero, que administra o Aeroporto Petrônio Portella, de janeiro a novembro deste ano 1,070 milhões de passageiros embarcaram e desembarcaram. Um crescimento de pouco mais de 10% em relação a 2018, que registrou 966 mil passageiros, menor do que 2017, quando foram 999 mil visitantes.

 

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