Artigos & Colunas

Opinião

Mercado financeiro é uma ciência e não jogo de azar

Nem sempre o que é bom para um investidor é bom para outro

 
 
 

Com a brusca mudança de direção da economia verde-amarela em 2019, o número de brasileiros operando na bolsa de valores aumentou quase 100% ao longo do ano, saindo de 813 mil cadastrados em janeiro para mais de um milhão e meio em novembro, de acordo com a B3 – a bolsa de valores oficial do Brasil. Isso é especialmente bom, porque mostra uma inflexão de mindset dos investidores, majoritariamente optantes por ativos de renda fixa.


Apesar das condições econômicas de baixa taxa de juros e amplificação da educação financeira na internet favorecerem esta mudança, a facilidade de operar online e de forma autodidata pode incorrer em riscos. O maior deles, sem dúvida, é a comodidade de realizar operações seguindo as orientações de “expertos” e sem avaliar seus próprios objetivos e estratégia. É importante ressaltar que nem sempre o que é bom para uma pessoa é bom para outra. “Por que ela diz isso?”, você pode estar se perguntando. Acontece que cada pessoa tem uma linha de prioridade, uma tolerância ao risco e uma avidez por rentabilidade distinta. Além disso, a escolha de onde alocar o seu dinheiro também passa por critérios subjetivos, como compliance ou sobre concordar ou não com incentivar determinado setor ou tipo de empresa.


 Mas, então, como você deveria agir? Opte por ler os relatórios das carteiras recomendadas para o seu perfil de investidor da corretora que você usa e pelo menos mais duas da sua confiança. Procure comparar e saber qual critério elas utilizaram, se a análise esteve focada em curto ou longo prazo, se correspondem a indicações de empresas que crescem com aceleração constante, ou se são disruptivas, ou se a escolha teve relação com valorização do preço da ação, ou se são empresas sólidas. Isto é, examinar os critérios fundamentalistas que embasaram a seleção. Confira se eles coincidem com o que você prioriza. Evite escolher a empresa baseada nas dicas voltadas para valorização/oscilação de preço, ou seja, a partir da análise técnica. Esta deve ser utilizada para saber o momento mais adequado para comprar a ação, depois que você já decidiu em qual empresa vai alocar.


E se mesmo assim você achar que não consegue acompanhar, interpretar ou sequer entender sobre economia, contrate um planejador financeiro ou agente de investimentos para dar o suporte necessário. É importante que você leve isso muito a sério e não aja na inércia, seguindo o comportamento de manada. Portanto, trate o seu dinheiro com respeito e responsabilidade para mitigar os riscos, aumentar a eficiência da sua renda e garantir que suas metas sejam alcançadas no prazo desejado. Mercado financeiro é uma ciência e não jogo de azar.
 

Fonte: Elinne Val - Economista

Mais de Artigos & Colunas