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Refletindo sobre o egoísmo e o orgulho

 
 
 

Mergulhados em ondas de medo e insegurança, estamos todos nós vivenciando uma crise pandêmica sem precedentes, e ao invés de ser o novo coronavírus nosso único vilão, somam-se a isso atitudes inconsequentes que indicam que somos nós mesmos o “x” da questão, estando o egoísmo e orgulho prevalecendo em parte de nossas ações.


Basta olharmos os inúmeros casos de violência, disputas e intrigas divulgados pela imprensa, a começar pela esfera pública, em que estados e municípios brigam com o governo federal por mais verbas, pela compra de mais vacinas e liberação de outras ferramentas de incentivo a retomada da economia e geração de emprego, concomitantemente.
 

A conjuntura é tão preocupante que uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi instaurada no Senado e “investigará ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia” (Agência Senado), dentre outros, para averiguar a possibilidade de irregularidades (ou omissões) por parte dos gestores da saúde no Brasil, envolvendo, portanto, diferentes ministérios e demais órgãos. Enquanto uns (da chamada oposição) de tudo fazem para apontar o dedo principalmente para o Ministério da Saúde e Palácio do Planalto, estes e seus aliados (o chamado grupo de situação) se defendem acusando governadores e prefeitos, assim como órgãos estaduais e municipais, além, é claro, das atitudes de parte da população, que teima em descumprir as regras dos protocolos de segurança. Assim, parece evidente que a luta pelo poder sobrepuja a ética, o respeito e a cooperação, que são imprescindíveis à busca por melhores soluções para enfrentar os desafios em sociedade.
 

Isto posto, vale refletir sobre alguns pontos relevantes: primeiramente, precisamos avançar mais em reformas estruturantes neste país (e em outros, claro) que exijam uma formação condizente à gestão da máquina pública, pois atualmente qualquer pessoa, mesmo sem formação técnica, chega a exercer cargos e funções estratégicas que envolvem a gerência de recursos públicos, o que impacta diretamente na qualidade de vida da população. Presidente da República, Governador, Prefeito e mandatários do executivo necessitam estudar, fazer formação em Administração e, por conseguinte, em Gestão Pública? Precisam, ainda, adquirir conhecimentos essenciais relativos ao Direito, à Contabilidade, Economia e Tecnologias da Informação etc.? Funções tão relevantes requerem pessoas com alta qualificação técnica, bem como, com conhecimentos da Ética, subárea da Filosofia.
 

Vale lembrar que, para alguém se tornar auditor fiscal (quer do município, quer do estado ou da Receita Federal), precisa passar anos se preparando, estudando, aprendendo com diferentes professores, técnicos e especialistas de áreas complementares para ser aprovado num concurso bastante concorrido. E ainda poderíamos analisar também o rigor exigido para que um candidato se torne delegado, juiz, procurador e/ou para que conclua um mestrado e doutorado.
 

Em segundo, precisamos pensar sobre as disparidades econômicas e sociais que geram verdadeiras muralhas entre as pessoas. Parece que os mais abastados ainda insistem em olhar apenas para o próprio umbigo, esquecendo do todo, deixando, assim, os menos favorecidos em situações de escassez, fruto do egoísmo dos primeiros e da paralisia dos segundos.
 

Ao nos lembrarmos de São Francisco de Assis (1181-1226 / Assis – Itália) e de sua obra em defesa dos doentes e necessitados de sua região, talvez nos encantemos com sua abnegação, resiliência e estilo de vida missionário. Mas somos capazes de nos engajarmos em Projetos desta natureza? Ou preferimos apenas reconhecer a grandeza de sua obra (o que já é um primeiro passo) e continuarmos seguindo nossos afazeres, dizendo não termos tempo para mais nada?
 

Ademais, questiono: o dia tem as mesmas 24 horas para todos? Somos nós quem planejamos as nossas semanas ou nossa rotina é imposta por alguém? Tudo o que fazemos e o que deixamos de fazer é fruto de nossas próprias Prioridades e Escolhas? Reconhecemo-nos com um estilo de vida egoísta? E o que devemos fazer agora para melhorar isso? Continuo defendendo que, ao invés de apontarmos dedos e darmos ordens o tempo todo, devemos, pois, nos questionarmos continuamente, afinal, é refletindo crítica e seriamente que exercitamos melhor a inteligência, o bom senso e, quiçá, a ética. A Reflexão leva à Mudança!
 

Não obstante, precisamos também refletir, em terceiro lugar, sobre o orgulho, que incontestavelmente nos faz sentir mais importante que a maioria. Pior ainda quando, presunçosamente, nos consideramos o melhor do mundo, seja numa determinada modalidade esportiva, num estilo musical, numa profissão etc. Será que percebemos que o orgulho gera presunção, tornando- nos mais frios, calculistas e implacáveis com os que não fazem as coisas como NÓS queremos? E o resultado? Críticas, impropérios, grosserias, acusações, isto é, falta de respeito.
Interessante, porém, que com o passar do tempo, facilmente podemos nos frustrar, perder um ente querido, adoecer e, geralmente, “caímos do cavalo”, caímos na real de que não somos melhores nem piores do que ninguém, de que essa dualidade é pura criação humana, pois “somos todos como um anjo de uma asa só, precisamos do outro para juntos voarmos lado a lado”. Assim, observamos que tudo o que geramos retorna para nós, e, inexoravelmente, colhemos os frutos das sementes que plantamos dia após dia, segundo a sabedoria de mestres da antiguidade.

Então, que tal trocarmos o orgulho pela cooperação? A arrogância pela compreensão? O melindre pela compaixão? A paralisia pela ação? O egoísmo pela solidariedade?
 

Portanto, quando nos conectamos mais e mais, a cada dia, consigo mesmo, em nosso templo sagrado interno, através da MEDITAÇÃO e ORAÇÃO genuína, do estudo edificante e da ação altruísta bem realizada, tornamo-nos mais conscientes de nossas responsabilidades e potencialidades, elementos fundamentais à Maestria, com ganhos em Qualidade de Vida.

 

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Fonte: José Rodrigues Alves Filho - professor, escritor, administrador e mestre em Educação

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