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No Piauí, provedores locais de internet ultrapassam Oi, Claro e Vivo

Na banda larga fixa, empresas piauienses e regionais juntas têm 54% do mercado estadual, mais do que as gigantes nacionais

 
Outdoor divulgando serviços da G3: empresa tem mais clientes do que a Vivo no Piauí (Fotos: Piauí Negócios)

 Outdoor divulgando serviços da G3: empresa tem mais clientes do que a Vivo no Piauí (Fotos: Piauí Negócios)

 
 

Os pequenos provedores de acesso à internet por meio da banda larga fixa superaram, pela primeira vez no Piauí, em número de clientes, as grandes operadoras do Brasil, como Claro, Oi e Vivo. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em dezembro, os provedores locais e regionais juntos abocanharam 54% dos 261 mil domicílios piauienses que possuem banda larga.

 

Até agosto, as grandes operadoras ainda lideravam: tinham juntas no território piauiense 122 mil domicílios com banda larga fixa, contra 116 mil dos pequenos provedores. Em setembro, a situação mudou: Vivo, Oi e Claro cresceram para 123 mil lares, mas os pequenos subiram mais ainda e, com novos clientes, alcançaram 132 mil residências.

 

 

 

 

 

Em termos de ranking por empresa, as operadoras nacionais ainda estão na frente. A Oi lidera com folga o mercado piauiense, com 26% do total, seguida da Claro, com 14%. Porém, o terceiro lugar é da Virtex, um provedor de Picos (PI), com 10,7% da participação. Em quarto lugar, outra empresa local, a G3, com 10% do mercado, o dobro da quinta colocada, a gigante Vivo, que tem 5,3% de participação.

 

 

 

Em nível Brasil os pequenos provedores ainda não assumiram a liderança, mas estão crescendo numa velocidade muito maior do que as grandes. Até 2017, elas tinham 21% do mercado e hoje alcançam 40,7% do mercado. A Claro/NET, a líder brasileira, reduziu sua participação do mesmo período de 30% para 27%. A Vivo perdeu quase 10 pontos (26% para 18%) e a Oi saiu de 22% para 14%. A Tim, gigante na telefonia móvel, possui 1,8% do mercado, e a Sky/AT&T, forte na TV por assinatura, apenas, 0,6%.

 

 

As empresas menores também são chamadas de competitivas e têm menos de 5% de market share (participação) no mercado nacional. No Brasil, somente Claro, Vivo e OI estão acima desse percentual, por isso são consideradas grandes.

 

Segundo a Anatel, já há mais de 150 provedores regionais ou locais no Piauí. Com exceção da G3, Virtex e Megalink, as demais têm menos de 5 mil clientes. Mas com o mercado em franco crescimento, pois apenas 26% dos domicílios piauienses possuem banda larga vixa, tem incentivado as empresas a investir cada vez mais. G3 e Ora Telecom estão fazendo uma forte campanha de divulgação em campanhas na mídia da TV e em outdoors. E empresas regionais de outros estados já perceberam o potencial do mercado piauiense. A Mob Telecom, do Ceará, instalou sua primeira filial na zona sul de Teresina, no final de dezembro de 2020.

 

O que explica o crescimento dos pequenos provedores

 

Mas o que fez as grandes operadoras serem atropeladas pelas menores, já que as primeiras possuem muito mais capital para investimento? Segundo o engenheiro de redes Esdras Keven, da E21S Redes e Informática, foi um erro de estratégia. Ele explica que a Claro, Oi e Vivo avaliaram mal o mercado e ignoraram o potencial de crescimento da demanda em bairros periféricos das capitais e dos municípios do interior.

 

“As operadoras se consolidaram e investiram seus olhos primordialmente nas zonas nobres da cidade. Algumas delas só ofereciam o serviço de banda larga fixa quando havia um número mínimo de demanda, pois acharam que não teriam concorrência”, afirma Esdras.

 

O engenheiro de dados Esdras Keven avalia que as grandes operadores não perceberam a importância do mercado da periferia

 

Outro erro das grandes empresas foi exigir que o usuário com interesse apenas em banda larga aderisse a um plano de combo incluindo telefone fixo, móvel e TV por assinatura. Enquanto isso, os provedores regionais oferecem geralmente somente a banda larga, que é a grande demanda atual. “As grandes não focam tanto em banda larga fixa quando os pequenos e médios provedores”, explica o especialista em redes.

 

Durante a expansão dos pequenos provedores, eles aproveitaram ainda a tecnologia para sair na frente. “Avançaram com a adaptação do mercado saindo de tecnologias como rádio e pacpon para migrarem para 100% FTTH, ou seja, a fibra ótica chegando dentro da casa do cliente, e colocando as rotas de atendimento em toda região da cidade. Mesmo que alguns comercializassem apenas banda larga fixa, foram conquistando espaço em bairros, regiões e ganhando visibilidade conforme cresciam”, avalia o engenheiro.

 

Homepage da Virtex, com sede em Picos: a empresa é a terceira com mais clientes do Piauí (Foto: reprodução)

 

No Piauí, segundo a Anatel, dos 261 mil domicílios com banda larga, 65% acessam por meio de fibra ótica, seguido de 13,8% através do cabo coaxial e 12,9% por cabos metálicos.

 

Bairros como Distrito industrial, Porto Alegre, Torquato Neto e Portal da Alegria, na zona sul de Teresina, e Jacinta Andrade, Santa Maria da Codipi e Monte Verdade, na zona norte da cidade, não atraíam o interesse das grandes operadoras. Foi nessa lacuna que os pequenos provedores ganharam espaço.

 

Uma boa estratégia comercial em 2020, na opinião de Estras Keven, foi a junção de ISPS (provedores de internet) regionais, resultando na marca Ora Telecom. Com a nova estrutura, na sua criação a Ora já possuía mais de 50 mil clientes pessoas físicas, mais de 600 clientes jurídicos e atende praticamente quase todo Piauí. “Desde muito tempo os provedores locais já investiam no acesso por fibra óptica aos clientes das empresas”, revela o engenheiro.

 

Outdoor da Ora Telecom: empresa nasceu da união de vários provedores 

 

Grandes empresas preparam reação

Segundo Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa especializada em consultoria em telecomunicação, somente agora as grandes operadoras estão reagindo. “Vivo e Oi começarem a investir mais pesadamente em redes de fibra há cerca de dois anos e tem que compensar a perda de assinantes de banda larga que utilizam os fios telefônicos, o que não acontece com as competitivas”, afirma Tude.

 

Já a Claro, de acordo com a Teleco, optou pela adoção da fibra óptica nas novas cidades entrantes. A empresa, por meio da NET, utiliza principalmente a tecnologia DOCSIS, que utiliza cabos coaxiais; isso corresponde a 96,7% dos acessos.

 

Eduarto Tude, da consultoria Teleco, afirma que somente nos últimos dois anos as grandes operadoras passaram a investir mais em fibra ótica (Foto: divulgação)

 

Para Esdras Even, as grandes operadoras, por terem capital exponencialmente maior, se adotarem estratégias alinhadas aos avanços da tecnologia, como por exemplo a chegada do 5G no Brasil, podem tentar recuperar um pouco de espaço. “Mas acompanhar os regionais será bem difícil, pois os provedores têm feito seu dever de casa e estão atuando com uma logística e uma entrega aos clientes bem melhor que as grandes operadoras. Quem sabe, brevemente entrando em patamares similares”, conclui o proprietário da E21S Redes e Informática.

 

Pequenos provedores poderão usar estrutura Piauí Conectado para crescer

Além da demanda em alta, os pequenos provedores têm outro incentivo para manter a expansão. Na última segunda-feira, 8, a empresa Piauí Conectado, ligada ao Governo do Estado do Piauí, apresentou a oferta pública de serviços aos Provedores de Serviço de Internet (ISPs) para ampliar o acesso por fibra óptica.

 

Destinado a atender o setor público estadual em 101 municípios, o Projeto Piauí Conectado passa a oferecer também infraestrutura de internet para o setor privado. O primeiro edital beneficiará, inicialmente, os provedores de Teresina, ofertando banda e serviços de alta qualidade. Ainda no primeiro semestre de 2021, a concessionária lançará as ofertas para os municípios da região Norte, finalizando o processo no início de 2022 ao ofertar os serviços para as cidades da região Sul.

 

“Dessa forma, o projeto Piauí Conectado integrará, com uma infraestrutura tecnológica digital, os setores público e privado, tornando o Piauí um dos estados mais conectados do país”, afirma Edson Ribeiro, presidente da Globaltask, empresa controladora da SPE Piauí Conectado.

 

Para os provedores, a parceria com a Piauí Conectado trará ganhos significativos na qualidade do serviço ofertado, possibilitando às empresas a expansão dos serviços para outras regiões do Piauí. “O aumento da eficiência e desenvolvimento tecnológico vão possibilitar às empresas a oferta de novos serviços informatizados para seus clientes”, pontua o diretor-geral da Agência de Tecnologia da Informação do Estado (ATI/PI), Antônio Torres.

 

O diretor-presidente da Piauí Conectado, Emerson Silva, informa que a oferta pública de serviços deve impulsionar o crescimento do setor de telecomunicações ao ofertar mais banda aos provedores de internet. “Nosso objetivo com esta iniciativa é ampliar a oferta de internet banda larga, contribuindo para que toda a população possa ter acesso à internet com mais qualidade e custos reduzidos”, explica.

 

Além da estrutura de rede, a concessionária também colocará à disposição o data center do projeto, que é responsável pelo armazenamento de dados e transmissão de toda a comunicação. O data center Tier III atua de forma ininterrupta, proporcionando maior segurança e alta disponibilidade à rede. Essas características são fundamentais para o atendimento das novas demandas de conexão, que envolvem o acesso às plataformas de streaming e a troca de informações em tempo real, como as videochamadas e transmissões ao vivo.

 

A Piauí Conectado possui contrato na modalidade de Parceria Público-Privada com o Governo do Estado para modernizar a comunicação do Piauí e levar soluções através da tecnologia.

 

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