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Pandemia: metade das empresas do Piauí não conseguiu empréstimo

Seis meses após início da crise, nem mesmo o Pronampe alcançou todos os pequenos negócios

 
Pesquisa do Sebrae ouviu MEIs, micro e pequenos empresários do Piauí

 Pesquisa do Sebrae ouviu MEIs, micro e pequenos empresários do Piauí

 
 

Seis meses após o início da pandemia do novo coronavírus, quase metade dos pequenos negócios do Piauí ainda não conseguiram crédito para amenizar os efeitos da crise na economia. Segundo uma pesquisa do Sebrae, 48% das micro e pequenas empresas do estado que buscaram crédito tiveram o pedido negado.

 

A sétima edição do estudo “O Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios” ouviu mais de 7,5 mil empresários (MEIs, micro e pequenos) em todo o Brasil, o que representa um universo de 17,5 milhões de negócios em nível nacional e 175 mil no Piauí. A pesquisa foi realizada no período de 27 a 31 de agosto de 2020.

 

A pesquisa mostra que 42% das pequenas empresas piauienses foram atrás de empréstimo para amenizar os efeitos da crise, mas somente a metade teve êxito.  Segundo o presidente do Sebrae nacional, Carlos Melles, pelo menos 50% dos micros e pequenos empresários nem tentaram recorrer ao crédito pelas dificuldades burocráticas que encontram. Dessa metade que procurou, apenas 22% obtiveram sucesso, ou seja, 15% do total.

 

“Isso precisa ser ampliado e, principalmente no contexto de crise causada pela pandemia, os devedores também vão precisar de auxílio para se reerguer”, defendeu Melles, em audiência pública realizada nesta terça-feira, dia 13, no Senado Federal, para avaliar ações do governo no combate à pandemia da covid-19.

 

 

 

É o caso da empresária Anaci Pereira da Silva, que trabalha com fabrica de roupas (moda) e fardamento. “Poucas pessoas conseguiram o empréstimo. Eu desisti. O governo está preocupado só com as grandes empresas, não apoia os pequenos”, reclama a empresária.

 

Anaci disse que está conseguindo superar a crise com muito trabalho. “Não parei um minuto e graças a Deus consegui dinheiro para comprar minhas coisas, por meio de muito trabalho. Se a gente for depender do governo, não consegue nada”, critica.

 


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O arquiteto Adriano Melo tenta desde abril uma linha de crédito, êxito. Resolveu então reformar seu escritório com recursos próprios. Mas apesar da demora, ele está otimista. “Nunca “houve dinheiro com juros tão baixo na minha história deste 1993. O governo federal está de parabéns!”, avalia.

 

Segundo o economista Márcio Braz, consultor do Centro de Indústrias do Estado do Piauí (CIEP), o problema está no limite de crédito que os bancos liberam para as empresas, mesmo com o governo federal sendo fiador, por meio do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).

 

“Uma cliente meu tinha direito a conseguir R$ 70 mil pelo Pronampe ele podia tirar quase 70 mil, mas o Banco do Nordeste só emprestava R$ 12 mil, porque era esse o limite estabelecido pelo banco para o cliente”, conta Braz.

 

Assim, empresas que possuem qualquer tipo de inadimplência, algum endividamento ou que extrapolam o limite de crédito, mesmo com o governo federal avalizando, não conseguem o recurso com o banco.Segundo a pesquisa do Sebrae, 40% dos MEIs, micro e pequenos empresários do Piauí estão inadimplentes com parcelas dos empréstimos, o que prejudica a obtenção de novo crédito.

 

 

O economista sugere que os bancos mudem os critérios para estabelecer os limites de empréstimos para capital de giro das empresas. Para ele, o governo federal pode fazer isso, já que tem controle sobre três grandes bancos públicos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste.

 

Representantes dos grandes bancos públicos como Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES participaram da audiência no Senado e disseram que os empresários tiveram crédito, receberam benefícios, como a suspensão do pagamento de dívidas por alguns meses, e educação financeira. Se o crédito para o pequenino não chegou na ponta, afirmaram, é porque eles não têm acesso a essas grandes instituições.

 

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Fonte: Agência Senado e Sebrae

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