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Como cuidar das finanças e se proteger em tempos de crise

Mais da metade dos brasileiros sofreram redução das receitas mensais nesse período

 
 
 

Por muito tempo o brasileiro ignorou o ensino sobre finanças e a educação financeira. Não é à toa que temos 67% das famílias com algum tipo de dívida, quase a metade de nós não possui reserva financeira (47%), somente 30% da população se preocupa em realizar planejamento financeiro e 15% sabe como investir. Com a pandemia, 6 em cada 10 brasileiros perderam mais de 1/4 da renda mensal e, por isso, falar sobre o tema se tornou ainda mais essencial.

 

Pensar na independência financeira, ou seja, você investir e criar renda passiva através de aplicações suficiente para viver sem depender de salários, aposentadorias ou mesmo de outras pessoas, soa distante para grande parte dos brasileiros, treinados para conseguir uma boa posição profissional e ficar nela ad eternum. Mas quando você encontra alguém que conseguiu fazer isso, percebe a vida leve, tranquila e livre que provavelmente ela possui. É a tradução do que é a liberdade.

 

Para quem tem esta ambição, a trilha para realizar tal conquista está baseada nos investimentos focados, em gerar, em obter renda mensal através de fundos de investimentos imobiliários, ações pagadoras de dividendos, aplicações em tesouro com juros semestrais, debêntures... Para falar a verdade, há quem diga que este é um sonho antigo dos nascidos em terras tuniquins. Com certeza, você não precisa ir muito longe para lembrar de alguém que comprou salas comerciais ou apartamentos para obter aluguéis regulares, estou certa?

 

Só que os riscos e os desestímulos têm sido tantos (vacância, inadimplência, subsídios públicos para aquisição de imóvel próprio...) que a rentabilidade caiu consideravelmente frente o retorno. Outro exemplo clássico é pensar nos rentistas, que até 2015, alcançavam generosos 10% ao ano em rentabilidade praticamente sem risco – vantagem que encerrou com queda vertiginosa da taxa básica de juros da economia. Eu nem vou me atrever aqui a escrever sobre aqueles que pretendem alcançar a tão desejada independência ganhando na Mega Sena.

 

Só que tudo isso mudou. Esse pensamento já não pode ser base para quem se preocupa com o futuro financeiro. Se você tem esta ambição e pretende acumular quantidade alfa de dinheiro, montar uma estratégia e buscar alcançar renda mensal suficiente para cobrir os seus custos, é necessário fazer o planejamento financeiro, para você deixar de viajar nas ideias e começar buscar esta realidade para você. Lembre-se que não estou falando de criar dinheiro “do nada”, mas sobre como gerenciar o que você já conquistou/vai conquistar de forma mais eficiente e que o dinheiro trabalhe para você. Esta é a atitude para capturar resultados.

 

Deixando para trás aquelas estratégias ultrapassadas – a não ser que você já tenha bastante capital em caixa – e pensando em situações com o “pé no chão”, a partir de qualquer quantia já é possível estabelecer um passo a passo para construir um futuro financeiro melhor. Na verdade, como este assunto é ainda tão pouco debatido, o exercício de refletir sobre finanças pessoais e trocar experiências com especialistas ou até familiares e amigos pode ser uma bela fonte de inspiração, boas práticas, erros a ser evitados e uma forma de encontrar soluções pode ser considerado um início.

 

Ou seja, este objetivo de conquistar a independência financeira, fundamentalmente pautado na formação de uma renda regular que seja satisfatória se constituiria numa meta financeira. E tendo uma meta mensurável, com horizonte temporal estabelecido e motivação clara para trazer realização, você estará transformando aquilo que era um desejo na base do seu planejamento financeiro.

 

É importante mencionar que, para tornar um plano como este possível, ter disciplina e organização é a essencial, pois ao passo que você vai investindo e os juros compostos começam a trabalhar para você e o valor acumulado vai crescendo. E para a independência financeira, é necessário ter em mente que você não pode cair em tentações imediatistas e gastar esse dinheiro. Não é difícil explicar o porquê. Imagine que o seu trabalho, lucros, conquistas e dedicação fizeram você alcançar R$ 200 mil investidos que pagam – hipoteticamente – R$ 2 mil mensais. Você estaria no caminho certo. Mas, digamos que um belo dia você foi convencido a fazer uma extravagância e comprou um carro de R$ 150 mil. Agora, você só teria R$ 50 mil em ativos para gerar a renda mensal. Como você deve ter pensado, seria necessário praticamente recomeçar a trilha.

 

Eu destaco que o erro não está na compra em si, mas em usar o dinheiro que estava carimbado para a conquista da independência financeira com um desejo de consumo que comprometeria o seu alcance. Uma forma que o planejador resolve essas situações é criando, simultaneamente, estratégias para vários objetivos financeiros, tornando possível atingir cada uma delas.

 

Vale ressaltar que compreender e estar ciente sobre o seu fluxo financeiro faz toda a diferença. Reconhecer as fontes de renda é fácil, mas você saberia dizer para onde o seu dinheiro vai? E o quanto desse dinheiro está sendo destinado para compras de ativos – ou seja, aplicado naquilo que vai fazer você receber mais dinheiro por isso? Ou ele está todo em passivos – ou seja, gasto com coisas que te geram ainda mais custos?

 

Se surgir uma oportunidade inesperada ou uma emergência, você tem recursos guardados para isso ou precisaria recorrer a alguém ou a alguma instituição financeira? Se sua renda caísse pela metade hoje, como você faria para manter o seu padrão de vida sem dar calote em ninguém?

 

Essas são algumas das perguntas que nos ajudam a tomar consciência sobre a nossa situação. E uma boa dose de organização e disciplina é o que vai recobrar ou garantir o equilíbrio nas contas a partir desse momento. Lembrando que 48% da população brasileira não faz qualquer controle desse tipo, o que justifica o alto nível de endividamento, a vulnerabilidade das famílias e mais, a perpetuação da situação financeira familiar. Para escapar desta estatística, mexa-se.

 

Comece agora mesmo. Revise as contas, identifique quais custos estão fora do esperado e porquê. Determine um limite de gastos por categoria para você e sua família. Tente compartilhar experiências de gestão financeira com amigos e pessoas próximas e veja o quanto você pode aprender. Programe-se e estabeleça um planejamento financeiro, isto é, crie o hábito de fazer o controle regular anotando receitas e gastos mensais para monitorar com base no teto de despesas acordado.

 

Não subestime as dívidas. Avalie, pergunte e negocie a cada oportunidade com o credor, principalmente se houver dificuldade para honrar os compromissos financeiros. Não fazer nada é sempre a pior opção. Liste todas as dívidas e estabeleça como prioridade para o pagamento aquelas atrasadas. Verifique o saldo devedor e o quanto você paga de juros, multas e taxas em cada uma das despesas. Dessa forma, você saberá o quanto de esforço será necessário para conseguir quitar e paulatinamente sair dessa situação. Criar uma reserva financeira de paz também é mandatório. Aliás, a sua importância foi o principal ensinamento dessa pandemia. Afinal, imprevistos ocorrem o tempo todo. Não é só por causa da doença. Se você se antecipar a estes momentos, mais tranquilo e seguro você passará por ele.

 

Em geral, uma situação de crise econômica como a atual desperta nas pessoas uma preocupação maior com a organização financeira, pois os choques de realidade batem à porta e somos levados a refletir sobre uma série de decisões, principalmente sobre finanças. Para isso, conte com o auxílio de um profissional, como o da Finaplus, que oferece serviços de consultoria e assessoria em finanças pessoais, com atendimento técnico personalizado, baseado em ferramentas adequadas, para construir o planejamento financeiro ou oferecer soluções em gestão financeira, de ativos e riscos ou no planejamento da independência financeira, tributário ou sucessório, alinhado aos objetivos do cliente e com estratégias inteiramente individuais.

 

Portanto, COMECE HOJE, comece agora o seu planejamento financeiro.

 

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Fonte: Escola Conquer e Nord Research.

Fonte: Elinne Val - economista/UnB e planejadora financeira

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