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Análise

45% das empresas do Piauí vão fechar, mas há previsão de crescimento já em 2021

Economistas ouvidos pelo Piauí Negócios analisam a maior crise planetária desde a Segunda Guerra Mundial

 
Comércio em Teresina em dia útil: lojas foram obrigadas a fechar por determinação do poder público (Foto: Piauí Negócios)

 Comércio em Teresina em dia útil: lojas foram obrigadas a fechar por determinação do poder público (Foto: Piauí Negócios)

 
 

A interrupção abrupta de todas as atividades produtivas consideradas não essenciais, a partir da segunda quinzena de março, terá consequências severas para empresas e trabalhadores do Piauí. Especialistas ouvidos pelo Piauí Negócios preveem falência de até 45% das empresas locais e desemprego em massa, embora considerem que há chances de uma recuperação do cenário já em 2021.

 

O professor universitário Dorgilan Rodrigues, presidente do Conselho Regional de Economia do Piauí, alerta que a atual crise é pior do que a de 2008, devido à sua abrangência mundial e acrescida do caos na saúde pública. Ele lembra que boa parte do comércio piauiense, por exemplo, é formado de pequenas e médias empresas e que grande parte dos empresários locais não têm reservas financeiras, tendo que trabalhar com o fluxo de caixa com prazo reduzido de entrada e saída de recursos. “Basicamente, o que produz hoje é comercializado e logo é consumido (utilizado) em curto prazo”, afirma o economista.

 

Dorgilan: falta capital de giro às empresas (Foto: arquivo pessoal)

 

Devido a essa falta de reserva, Dorgilan acredita que entre 40% e 45% dos empresários locais não terão como retomar suas atividades. “Não estou sendo pessimista, mas retratando a nossa realidade”, alerta. Até o momento, o decreto do Governo do Estado que proíbe o funcionamento das atividades econômicas no Piauí vale até o dia 30 de abril.

 

O doutor em economia Juliano Vargas, professor da Universidade Federal do Piauí, é mais ponderado. Ele afirma ainda não ser possível conhecer a extensão da crise econômica em curso. “O impacto da pandemia no estado dependerá de como as autoridades públicas, o empresariado e a sociedade conduzirão os diversos processos decorrentes da crise”, analisa.

 

Poder público precisa ser o protagonista

É essa reação, inclusive, que vai determinar como não só o Piauí, mas também o Brasil, estarão economicamente após o fim do isolamento social. Os dois especialistas têm consenso de que o poder público deverá ser o protagonista da crise, protegendo tanto as famílias como as empresas. Eles apontam alguns caminhos para redução das consequências na pandemia na economia local.

 

Dorgilan sugere que o Governo do Estado postergue o recolhimento de ICMS, conceda incentivos fiscais ou até isente os empresários, além de viabilizar convênios com bancos ou cooperativas de crédito para auxiliar neste momento de dificuldade financeira por parte do empresários, a fim de manter a atividade econômica, manutenção dos empregos formais e continuidade de arrecadação futura, mesmo de forma reduzida. “Isso pode dar um ‘fôlego’ a mais nos custos fixos e estrutura empresarial”, afirma.

 

A Secretaria de Fazenda (Sefaz), por exemplo, suspendeu e prorrogou prazos. Os prazos de recolhimento do ICMS apurado no âmbito do regime do Simples Nacional referente às competências de março, abril e maio de 2020, também foram prorrogados por 90 dias. Ou seja: julho, agosto e setembro.

 

Juliano Vargas concorda que sempre é possível [o Estado] fazer mais e melhor com os recursos disponíveis e que o momento exige soma de esforços com vistas à superação da crise sanitária e econômica. “Do contrário, podemos ter um agravamento sério de ambas”, alerta. No entanto, o professor reconhece que os benefícios fiscais, caso venham a ser concedidos pelo Governo do Estado, devem comtemplar contrapartidas das empresas beneficiadas.

 

Juliano, doutor em Economia: Estado sempre pode fazer mais (Foto: arquivo pessoal)

 

Dorgilan aponta também que tanto o Estado como a União facilitem o acesso a recursos financeiros a empresas, com taxas de juros subsidiadas. Tal medida já foi sinalizada pelo Governo do Estado por meio da instituição Piauí Fomento. A agência está renegociando débitos com prazo de seis meses de carência e concedendo capital de giro para o setor de turismo, um dos mais afetados.

 

União tem que compensar as perdas das receitas estaduais

A perda da arrecadação de todas as unidades da Federação, por conta da crise, precisaria ser compensada para que o Estado possa continuar mantendo os serviços públicos. Aí é que entraria o Governo Federal, que concentra a maior parte da arrecadação tributária do Brasil.  “Lembremos que somente o Tesouro Nacional tem a faculdade de emitir títulos públicos, o que significa dizer que só o Governo Federal pode captar recursos por esta via para financiar as diversas atividades públicas”, frisa Juliano Vargas. O repasse de recursos federais já foi, inclusive, sinalizado pela União.

 

O economista Dorgilan acrescenta que uma outra ação que pode ajudar o Estado do Piauí é buscar novos empréstimos junto a bancos, o que já está sendo executado pelo Governo do Estado.

 

Crescimento do Piauí em 2021

Apesar da gravidade da crise, considerada a pior desde a segunda guerra mundial, e com uma recessão já certa em todo o Brasil este ano, o Piauí pode sair fortalecido, com perspectiva de crescimento econômico já em 2021. “Até o momento, os entes (estados, União, empresas, sociedade) têm colaborado entre si e agido com bom nível de sinergia para seu enfrentamento”, acredita Juliano.

 

“Existe uma possível perspectiva de começar uma retomada da economia, timidamente, no próximo ano, isso se tivermos um controle dessa pandemia a níveis mundial, e acima de tudo, que o Estado como agente intervencionista das políticas econômicas faça seu papel de protagonista”, finaliza Dorgilan.

 

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