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Inteligência artificial

Internet das coisas pode extinguir 56% dos empregos formais nos próximos cinco anos

Estudo do Ipea avalia impacto da automação no mercado de trabalho do Brasil, com substituição de trabalhadores por máquinas

 
A automação vai trazer novas oportunidades de negócios, mas também pode extinguir empregos (Fotos: Marcos Santos/USP Imagens)

 A automação vai trazer novas oportunidades de negócios, mas também pode extinguir empregos (Fotos: Marcos Santos/USP Imagens)

 
 

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê que 56% das ocupações de emprego formal no Brasil deverão ser afetadas, inclusive com risco de extinção, pelo processo de automação em decorrência das novas tecnologias, como inteligência artificial, computação em nuvem e internet das coisas. A pesquisa considerou que várias atividades, desde o setor primário até o terciário, deixarão de ser realizadas por humanos para serem executadas por máquinas (veja mais abaixo as áreas que poderão ser afetadas).

 

A análise classificou as ocupações com maior risco de automação ao considerar a importância e a relevância das tarefas desempenhadas em cada ocupação. Os pesquisadores consideraram tecnologias já consolidadas e passíveis de implantação num prazo de até cinco anos no cenário brasileiro.

 

Atividades/ocupação com mais chances de serem automatizadas

 

Por setor

  • Indústria têxtil e de vestuário
  • Indústria alimentícia
  • Agropecuária
  • Indústria da madeira
  • Fabricação de móveis
  • Metalurgia

 

Por serviços

  • Atividades de contabilidade, consultoria e auditoria contábil
  • Serviços de limpeza
  • Obras de acabamento
  • Atividades paisagísticas
  • Armazenamento, carga e descarga

 

Por ocupações

  • Operação de veículos e máquinas do setor de mineração (operador de shuttle car, destroçador de pedra, operador de equipamentos de preparação de areia)
  • Metalurgia (moldador e macheiro, à mão e à máquina)
  • Instalações (instalador de materiais isolantes e acústicos, revestidor de interiores)
  • Transportes (operador de empilhadeira e caminhão)
  • Construção (armador de estrutura de concreto, montador e preparador de estruturas metálicas)
  • Indústria madeireira (prensista de aglomerados e compensados)
  • Atividade de embaladores, à mão.

 

Entre as ocupações que foram classificadas como não automatizáveis, considerando-se aquelas com maior participação no emprego em 2017, estão os dirigentes do serviço público federal; professores de ensino superior nas áreas de ensino; analistas de recursos humanos; coordenadores pedagógicos; professores de ensino superior nas áreas de didática, línguas e literatura; gerentes de produção e operações; comerciantes varejistas; advogados; recreadores; supervisores de ensino; e membros superiores do Poder Executivo.

 

A pesquisa lembra que o Brasil experimenta, desde 2014, uma retração do nível de emprego, e sua retomada depende não apenas da superação de problemas da conjuntura econômica, como também do impacto estrutural dessas tecnologias sobre o mercado de trabalho.

 

O artigo apresenta no diagnóstico que o país precisa se preparar não apenas para a continuidade da substituição de algumas ocupações já em declínio, mas também para o início da adequação de ocupações que foram importantes para o crescimento do emprego nos últimos 15 anos. A pesquisa ressalta que o debate sobre as novas tecnologias digitais e geração de emprego é uma das questões preponderantes do atual cenário econômico no país na perspectiva das transformações no mercado de trabalho.

 

O estudo foi elaborado pelo técnico de Planejamento e Pesquisa Luis Kubota, em parceria com Aguinaldo Nogueira Maciente. Os autores pretendem atualizar as estimativas com novos estudos sobre a dinâmica do emprego no país durante os próximos anos, incrementando a base de dados. Segundo Kubota, o estudo confirma o processo de "lenta adequação do mercado de trabalho brasileiro diante do avanço das novas tecnologias".

 

Para ter acesso ao estudo, clique aqui.

 

Fonte: Ipea

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