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Comércio exterior

Dependência da soja e da China deixa Piauí vulnerável, mostra estudo

A concentração do produto para um único país deixa o Estado sujeito às oscilações de safra, ao preço e à demanda do importador

 
Países para os quais o Piauí exporta produtos e serviços (Reprodução Apex)

 Países para os quais o Piauí exporta produtos e serviços (Reprodução Apex)

 
 

Maior responsável pelo crescimento de 7,7% do PIB piauiense em 2017, o setor de agricultura do Estado precisa de um ajuste para evitar danos futuros à economia. A concentração das exportações num único produto (soja) para um único país (a China) deixa o Piauí vulnerável às oscilações da safra da oleaginosa, ao preço internacional e à demanda do país asiático.

 

O problema foi apontado no último dia 30 de janeiro, em Teresina, pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), ao divulgar o estudo “Piauí – Perfil e Oportunidades de Exportações e Investimentos”. O documento traz um panorama geral da economia do estado e identifica o seu potencial exportador. 

 

Em 2018, os produtos “soja triturada” e “farejo de soja” representaram, respectivamente, 84,7% e 5,8% das exportações do Piauí. E a China sozinha foi responsável por comprar 79,8% desses dois produtos. Ou seja, há uma dependência absurda de um único produto para um único destino. É o que o estudo chama de “dupla concentração”. Com isso, a economia fica condicionada às oscilações de um ano para outro.  “A partir de 2014, as exportações registraram aumento no índice de concentração de destinos. Tal movimento pode ser associado ao crescimento das exportações piauienses de soja para a China”, afirma o documento.

 

 

O Estado exporta também para outros países, mas a concentração na maior nação do planeta é muito alta. Em ordem decrescente de participação nas exportações do Piauí, estão China (79,5%), Alemanha (5,7%), Estados Unidos (3,9%), Tailândia (2,7%) e Japão (2,7%). Demais países (Venezuela, França, Itália, Espanha, entre outros), apenas cerca de 5%.

 

 

A análise da Apex aponta saídas. Entre elas, o investimento em outros setores da própria agricultura, como também a prioridade no comércio exterior da indústria de transformação. São apresentadas 45 oportunidades que podem ser comercializadas para os cinco países que o Piauí já mantém relação de exportação atualmente: China, Estados Unidos, Alemanha, França e Japão.

 

Desse total, o estudo destacou cinco setores com maiores chances de negócios para fora do país. Dentre eles, destacam-se cinco setores mais atrativos, com base no conjunto dos critérios selecionados: “Fabricação de conservas de frutas, legumes e outros vegetais”; “Extração de pedra, areia e argila”; “Fabricação de produtos químicos inorgânicos”; “Aparelhamento de pedras e fabricação de outros produtos de minerais não metálicos” e “Fabricação de estruturas metálicas e obras de caldeiraria pesada”.

 

As principais oportunidades de exportação do Piauí

 

Alimentos e Bebidas

26 oportunidades

 

Produtos Minerais Não Metálicos

7 oportunidades

 

Produtos Agropecuários

5 oportunidades

 

Moda, Higiene Pessoal e Cosméticos

4 oportunidades

 

Indústria Extrativa Mineral 

3 oportunidades

Fonte: Apex

 

Governo vai participar da Expo Dubai para divulgar potencialidades

 

Em sintonia com a conclusão do estudo da Apex, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) confirmou a participação do Governo do Piauí na Expo Dubai 2020, maior feira de negócios do mundo, para divulgar as potencialidades e atrair investidores. O evento vai acontecer de 20 de outubro de 2020 a 10 de abril de 2021 e atraiu, na última edição, 25 milhões de pessoas.

 

O superintendente do Desenvolvimento Econômico, Landerson Carvalho, afirmou que o Piauí já havia percebido a vulnerabilidade da dupla concentração e vem buscando ampliar a exportações para outros mercados.

 

“Hoje mesmo estamos expondo a nossa cajuína em uma feira na Alemanha. Também há ações para aumentar nosso comércio na área de fruticultura. Temos tidos alguns avanços. Hoje, por exemplo, a Frigotil é uma das exportados para Dubai”, explica Carvalho.

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