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Sindilojas-PI pede a Governo e Prefeitura que não decretem ponto facultativo

Lojistas temem que datas como Tiradentes e Corpus Christi virem feriados prolongados, causando prejuízos ao comércio de Teresina

 
Comércio registra queda no movimento em 30% nos dias facultativos (Foto: Piauí Negócios)

 Comércio registra queda no movimento em 30% nos dias facultativos (Foto: Piauí Negócios)

 
 

O Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas-PI) solicitou ao Governo do Estado do Piauí e à Prefeitura de Teresina que não decretem ponto facultativo na véspera dos feriados de 21 de abril (Tiradentes) e 11 de junho (Corpus Christi). O sindicato teme que isso transforme as datas em feriados prolongados, estimulando teresinenses a viajar e, assim, esvaziar o comércio da capital. Tanto o Governo com o Município ainda não responderam ao sindicato.

 

Como de costume, os órgãos públicos decretam pontos facultativos no dia anterior ou posterior a feriados que caem no meio da semana, como o de Tiradentes, que será na terça-feira, e o de Corpus Christi, que cairá na quinta. Assim, se for seguida a tradição, haverá ponto facultativo na segunda-feira, dia 20 de abril, e na sexta-feira, dia 12 de junho. Os feriados então se tornariam feriadões.

 

Neste ano de 2020, o número de feriados prolongados nacionais e estaduais vai dobrar em relação a 2019. Enquanto no ano passado houve apenas cinco datas especiais esticadas, este ano serão dez – já contando com o Dia do Piauí e o Dia de Nossa Senhora da Conceição, que cairão numa segunda-feira. As folgas cairão às segundas, terças, quintas ou sextas-feiras.

 

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O segundo feriado prolongado de 2020 ano será o Carnaval, que, apesar de acontecer apenas na segunda (24) e terça (25), afeta todo o comércio, pois no sábado (22) muitas pessoas viajam. Como na quarta-feira (26), o expediente só inicia após às 12h, o comércio fica esvaziado, pois a maioria dos órgãos públicos só volta a funcionar na quinta-feira (27).

 

Um levantamento realizado pelo sindicato mostrou que as vendas em pontos facultativos caem 15% e o movimento de pessoas dentro das lojas, 30%. No Piauí, por exemplo, existem 98 mil lojas de varejo, que são impactadas nessas datas. Metade dessas lojas está em Teresina.

 

Comércio este ano vai enfrentar 11 feriados prolongados, diferente de 2019 (Foto: Piauí Negócios)

 

Outro motivo que preocupa os lojistas da capital é que até mesmo quem não é servidor deixa de ir ao centro da cidade, já que boa parte das repartições públicas está localizada na região. “Além de retirar o servidor que poderia comprar ou olhar algum o produto, o ponto facultativo evita a ida das pessoas que iriam ao Centro para resolver alguma pendência em órgão público. É uma perda dobrada”, reclama o presidente do Sindilojas, Tertulino Passos.

 

O sindicalista afirma que a medida é fundamental para manter o comércio aquecido em 2020. “Se não houver ponto facultativo, os consumidores tendem a ficar em Teresina e assim realizarem suas compras, seja na capital ou nas demais cidades do Estado. Isso será de extrema importância para o desenvolvimento do comércio e prestação de serviços tanto a âmbito municipal quanto estadual”, afirmou o lojista.

 

Menos impostos para o poder público

O Sindilojas alega que não somente o comércio sofre, mas também o poder público, que deixa de arrecadar impostos. Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o prejuízo do comércio em 2020 por conta de feriados nacionais deverá chegar a R$ 19,6 bilhões. O valor é R$ 2,2 bilhões (12%) superior ao registrado em 2019 (R$ 17,4 bilhões). A variação é explicada pela maior quantidade de feriados que caem em dias úteis neste ano, em comparação com o ano passado.

 

Em novembro de 2019, o Piauí Negócios publicou uma reportagem especial sobre os prejuízos que os feriados e pontos facultativos causam à economia do Piauí. Embora os dias de folga extra prejudiquem a cadeia produtiva do comércio e da indústria, setores do turismo e de entretenimento, como bares e restaurantes, defendem os feriados prolongados, pois registram aumento no faturamento.

 

Ouvido à época pela reportagem, o economista Fernando Galvão diz que o suposto prejuízo para a economia do Brasil, tão alegado pelos empresários, não existe. Ele lembra que o público que não compra no comércio no feriado vai gastar seu dinheiro em outro lugar, seja no lazer, em viagens, ou em restaurantes. E isso vai gerar impostos, de uma forma ou de outra.

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